Fundador do Instituto Via Autismo e atuante na região Sul do Estado, Eduardo Andrade (PSDB) defende que pessoas neurodivergentes participem diretamente dos espaços de decisão
O neuropsicólogo e fundador do Instituto Via Autismo, Eduardo Andrade, lançou sua candidatura a deputado estadual pelo Tocantins nas Eleições 2026 com uma proposta que une experiência profissional, vivência pessoal e representação política: ampliar a inclusão e garantir maior participação das pessoas neurodivergentes na construção das políticas públicas do Estado.
Autista, Eduardo busca se tornar o primeiro deputado estadual abertamente neurodivergente do Tocantins, levando para a Assembleia Legislativa uma pauta que, segundo ele, precisa deixar de ser tratada apenas como tema de conscientização e passar a ocupar espaço permanente na agenda de políticas públicas.
Candidato pelo PSDB, Eduardo Andrade concorre com o número 45100. Os dados eleitorais disponíveis apontam sua candidatura ao cargo de deputado estadual pelo Tocantins.
Da vivência à representação
A candidatura nasce de uma trajetória que já estava ligada à causa antes do projeto eleitoral. À frente do Instituto Via Autismo em Gurupi, Eduardo atua junto a pessoas neurodivergentes e suas famílias, acompanhando de perto desafios relacionados ao diagnóstico, atendimento especializado, educação, inclusão social e acesso a direitos.
A atuação do Instituto na cidade já ganhou espaço em iniciativas de conscientização e atendimento à população. Em 2024, por exemplo, a instituição promoveu uma mobilização pelo Abril Azul em Gurupi e informou já atender mais de 200 famílias na região.
Mais recentemente, Eduardo também participou de debates com famílias e lideranças sobre políticas públicas para pessoas neurodivergentes no Sul do Tocantins.
Para o candidato, a decisão de entrar na política representa uma continuidade desse trabalho.
“Eu não quero chegar à política para falar sobre uma realidade que conheço de longe. Eu quero levar para onde as decisões acontecem aquilo que aprendi vivendo essa realidade, estudando, trabalhando e ouvindo tantas famílias.”
Inclusão para além do discurso
A proposta de Eduardo parte da compreensão de que inclusão precisa ser tratada como política pública permanente, com ações nas áreas de saúde, educação, assistência social, empregabilidade, acessibilidade e participação social.
O candidato defende que o Estado avance na oferta de diagnóstico e atendimento especializado, na preparação das escolas para receber estudantes neurodivergentes e na criação de oportunidades para que pessoas neurodivergentes possam desenvolver autonomia, estudar, trabalhar e participar plenamente da sociedade.
A pauta já ocupa espaço no debate político estadual. Deputados da Assembleia Legislativa do Tocantins têm apresentado iniciativas relacionadas a pessoas neurodivergentes, incluindo propostas nas áreas de educação, saúde, moradia e inclusão.
É justamente nesse cenário que Eduardo pretende acrescentar uma perspectiva diferente: a presença de uma pessoa neurodivergente dentro do próprio processo de decisão política.
“Representatividade não significa falar por todas as pessoas. Significa estar disposto a ouvir, compreender e construir junto. Quero que uma criança autista, uma mãe, um jovem com TDAH ou qualquer pessoa que se reconheça como neurodivergente possa olhar para a Assembleia e saber que também existe espaço para ela.”
Um mandato com olhar para todo o Tocantins
Embora a inclusão e a neurodiversidade estejam no centro da candidatura, Eduardo afirma que sua proposta de mandato não se limita a uma única pauta.
A intenção é construir uma atuação voltada para o desenvolvimento regional, com atenção especial à região Sul do Tocantins, onde desenvolve sua atuação profissional e institucional, e defender políticas que promovam qualidade de vida, oportunidades e participação social.
A mensagem que orienta a campanha resume essa proposta:
“Quem vive, entende. Quem entende, transforma.”
Para Eduardo, a experiência pessoal é apenas o ponto de partida.
“Ser autista faz parte de quem eu sou, mas não é tudo o que eu sou. Sou neuropsicólogo, sou profissional, sou fundador de uma instituição, sou alguém que escuta famílias e conhece os desafios da nossa região. Agora quero transformar essa experiência em representação.”
A candidatura tem como assinatura “Representar para transformar”, defendendo a ideia de que a política deve aproximar os espaços de decisão das pessoas que vivenciam diretamente os problemas que precisam ser enfrentados.









