Com aporte da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins, a Associação Micro Jandira, em Gurupi, modernizou sua estrutura e aumentou a produção em cinco vezes.
O fortalecimento da agricultura familiar na região sul do estado ganhou um importante aliado por meio do investimento em ciência aplicada ao campo. O Governo do Estado, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt), consolidou uma série de aportes financeiros e tecnológicos estruturantes na cadeia produtiva da mandioca. Em Gurupi, as ações articuladas via edital Fapt/Seagro de Pesquisa Agropecuária transformaram a realidade da Associação Micro Jandira, localizada a 12 quilômetros da zona urbana do município.
A comunidade, que reúne 27 famílias de pequenos produtores, conseguiu converter o cultivo tradicional em uma agroindústria sustentável. Atualmente, a atividade garante o sustento direto e indireto de aproximadamente 260 pessoas da localidade, inserindo produtos típicos como a farinha de puba temperada com coco, o bolo mané pelado e a paçoca de carne de sol no mercado consumidor regional.
Projetos integrados expandem a capacidade produtiva em 500%
A reestruturação da comunidade foi dividida em três frentes principais de fomento, coordenadas por pesquisadores e executadas dentro das diretrizes do Arranjo Produtivo Local (APL) da Mandioca. Como resultado direto da implantação do maquinário e de novas técnicas de manejo, o volume semanal de processamento de farinha saltou de 120 litros para cerca de 600 litros.
As frentes de trabalho financiadas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins englobam:
- Projeto Casa de Farinha: Modernização física da unidade com raladores automáticos, balanças digitais, tanques industriais em aço inox e conchos apropriados para massa;
- Manejo de Solo e Cultivo: Introdução de técnicas de plantio com lavouras tratadas com Arbolina para ganho de produtividade biológica;
- Marketing Estratégico: Desenvolvimento de rotulagem, identidade visual e canais de escoamento comercial para o Arranjo Produtivo Local.
O presidente da associação, Jorge Cabral da Luz, pontuou que o subsídio mudou a rotina exaustiva do trabalho manual e garantiu a inserção do grupo em mercados institucionais. Hoje, os derivados abastecem a merenda de escolas municipais e estaduais, comunidades indígenas e o comércio varejista de Gurupi, Cariri, Sucupira, Formoso do Araguaia e Dueré.
Articulação institucional e a Rede Deser no sul do estado
O sucesso do APL Jandira está associado a uma rede cooperativa que envolve o poder público, o ecossistema acadêmico e agentes financeiros. O arranjo congrega a Prefeitura de Gurupi, a Universidade de Gurupi (UnirG), a Universidade Federal do Tocantins (UFT), o Instituto Federal do Tocantins (IFTO), o Ruraltins e o Banco do Brasil.
A articulação de todos esses agentes é feita pelo Centro de Desenvolvimento Regional Sul (CDR Sul), que integra a Rede de Desenvolvimento Regional do Tocantins (Rede Deser). Trata-se de uma macropolítica estadual gerida pela Fapt para descentralizar polos tecnológicos em quatro macrorregiões: Centro, Médio Norte, Bico do Papagaio e Sul.
“Surgiu após visitas à associação e dos associados comentarem a respeito da industrialização do processo produtivo da produção de farinhas e derivados, para aumentar a renda das famílias ali presentes. Lidar com a produção de farinhas ficou um serviço menos cansativo”, explicou o coordenador do projeto, professor e doutor em Fitotecnia, Manoel dos Santos.
Resultados na Agrotins e avanços na qualidade de vida
Os reflexos socioeconômicos na Associação Micro Jandira apontam para um ganho de 90% na percepção de qualidade de vida dos moradores, englobando critérios de renda, segurança alimentar, higiene sanitária e ergonomia no ambiente de trabalho. Pelo segundo ano consecutivo, a associação levou seus resultados práticos para exibição na Agrotins, demonstrando a viabilidade de projetos comunitários de economia circular.
O presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins, Gilberto Ferreira, defendeu que o caso da comunidade Jandira atesta a importância de direcionar as bolsas de estudo e editais científicos para demandas reais da população rural.
“É gratificante ver que um apoio à pesquisa e à inovação se transforma em algo concreto para as famílias. Hoje, os produtores têm melhores condições de trabalho, aumentaram a produção e conseguiram ampliar seus mercados. Esse é o tipo de resultado que demonstra como a ciência pode contribuir para o desenvolvimento do Tocantins”, concluiu o presidente da fundação, Gilberto Ferreira.









