O Dia de Iemanjá, celebrado em 2 de fevereiro, marca um novo capítulo para a cultura afro-brasileira no Tocantins.
A partir de 2026, a data integra oficialmente o Calendário Cultural do Estado, consolidando o reconhecimento institucional das tradições de matriz africana. Mais do que uma celebração religiosa, a inclusão representa uma vitória na luta contra a intolerância e um passo firme na valorização do patrimônio imaterial tocantinense.
Resistência e visibilidade
Para a sacerdotisa Mãe Cleusa de Oyá, de Santa Rosa do Tocantins, a oficialização é um marco de dignidade. “Celebrar Iemanjá de forma oficial é muito gratificante. Durante muitos anos enfrentamos preconceito e intolerância. Hoje, essa data simboliza a nossa fé, a nossa cultura e o fortalecimento do nosso povo”, destaca. Com 12 anos de sacerdócio, ela aponta que o terreiro vai além da fé, atuando como um centro de acolhimento e preservação de saberes.
O reconhecimento também encontra eco nas águas do Rio Tocantins. Segundo Elpídio de Paula Neto, presidente do Conselho de Políticas Culturais, a identidade do estado está conectada aos rios. Ele explica que Iemanjá, a Rainha das Águas, faz parte do imaginário coletivo local, promovendo unidade e diálogo entre diferentes setores da sociedade através das festas públicas.
Projeto Águas de Iemanjá e programação
O fortalecimento da cultura afro-brasileira no Tocantins ganha forma através do projeto “Águas de Iemanjá”. A iniciativa, coordenada pelo Babalorixá William Vieira de Oliveira, une rituais sagrados à geração de renda e oficinas formativas. “O projeto é um gesto coletivo de resistência e afirmação cultural. Celebrar Iemanjá é lutar pelo direito à fé, à memória e à dignidade”, afirma o coordenador.
A programação de 2026 estende-se por todo o mês de fevereiro:
- 21 de fevereiro: Oficinas de ritmos, gastronomia afro e confecção de roupas no Terreiro Ilê Odé Oyá.
- 22 de fevereiro: Roda de conversa entre sacerdotes do TO, SP e GO sobre políticas públicas e direitos.
- 28 de fevereiro: O “Terceiro Presente de Iemanjá”, com procissão saindo do terreiro até a Praia da Graciosa, em Palmas, culminando com a entrega das oferendas nas águas do Rio Tocantins.
A análise técnica realizada pela Secretaria de Estado da Cultura em 2025 garantiu que, em 2026, a festividade fosse finalmente reconhecida como patrimônio vivo, reafirmando o compromisso do poder público com a diversidade e os direitos humanos.










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